3 Dezembro 2007

TV digital: revolução?

Postado por João Paulo Mauler, às 11:21.

Começaram oficialmente as transmissões da TV digital no Brasil. Quer dizer, em São Paulo. A previsão é que a inovação só esteja presente no país todo lá por 2013, e até 2016 as emissoras são obrigadas a continuar transmitindo o sinal analógico. Mas a verdade, a verdade mesmo, é que o lançamento da TV digital não representa assim uma revolução tão grande. E existem dois motivos principais para isso.

O primeiro deles é que a televisão digital brasileira nasce incompleta. Previa-se ontem que nem mil pessoas estariam desfrutando da estréia das transmissões digitais. Os conversores que o governo prometeu por R$ 200,00, não estavam saindo por menos de R$ 500,00, mesmo assim estava difícil achar o aparelho no varejo. O sucesso da TV digital depende da disponibilidade dos conversores e, principalmente, dos preços atrativos dos mesmos. No nosso caso, o governo apostou na América do Sul adotando o padrão japonês em peso, o que baratearia os custos de produção do aparelho (demanda maior, preço menor), mas isso não aconteceu. Recentemente, por exemplo, o Uruguai anunciou que adotaria o padrão europeu na sua TV digital.

Mesmo quem se aventurou a comprar o conversor e assistir a televisão digital desde o início não vai ter acesso a tudo o que teria direito. A interatividade, por exemplo, ainda não é permitida pelos conversores disponibilizados no mercado, e o software Ginga, que vai permitir a interação entre espectador e emissora, ainda nem está pronto. Ou seja, quando o programa ficar pronto, o conversor atual ficará obsoleto.

O segundo motivo para a TV digital não ser essa maravilha toda é mais grave. Mesmo quando estiver completa e amplamente acessada, a televisão digital brasileira não vai representar assim uma mudança tão grande de paradigma. O aumento da qualidade de imagem e som e uma interatividade limitada não vão mudar em nada o modelo atual de distribuição de televisão: as grandes emissoras determinando o que as pessoas vão ver e em qual horário. Mercado de nichos? Cauda longa? Não, não vai ser dessa vez.

Falaram que a distribuição de conteúdo gratuito por celular foi a principal vantagem que levou à escolha do padrão japonês. Ver TV no celular, você vai pensar, é super bacana e tals… Verdade, mas nesse caso valeria pensar em conteúdo diferenciado para os aparelhinhos, com programas mais curtos, se valendo das características do meio utilizado (afinal, já dizia McLuhan: o meio é a mensagem). Mas aqui, outra bola fora. A programação distribuída, não importa em qual meio, deve ser a mesma, e isso está definido por lei.

Por isso a televisão digital terrestre não é assim tão bombástica quanto poderia ser. A TV do futuro, a televisão ideal, está na internet, no YouTube, no Joost e em outros sites que distribuem conteúdo de vídeo. Não é uma maravilha poder assistir seu programa favorito na hora que você quiser, e não na hora que os executivos da TV aberta querem? Não é uma beleza ter um milhão de opções de programação em vez de cinco ou seis ou, vá lá, umas poucas dezenas, no caso da TV paga? Tudo isso de graça, com qualidade digital, e ao alcance do mouse? E olha que a distribuição de televisão pela web está só engatinhando…

Posso até estar viajando um pouco, mas a verdade é que a tal TV digital representa muito pouco. O ganho em qualidade é bom, lógico. Mas eu só não sei se justifica os bilhões investidos pelo governo na implantação e toda a publicidade em cima do lançamento.


Salvo em: Tecnologia, Televisão

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Um comentário

  • Yeah! Como vemos TV? disse:

    [...] que a distribuição de conteúdo pela web está prejudicando sim a TV. Eu mesmo já falei sobre isso aqui. As emissoras agora têm que se mexer e procurar maneiras de se manter na luta. Como a pesquisa [...]

    26 de Março de 2008 às 22:15



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