As reflexões de José Wilker 
Postado por João Paulo Mauler, às 14:41.Ontem à noite vi uma ótima entrevista com o ator José Wilker, no programa Marília Gabriela Entrevista, pelo canal pago GNT. Confesso que nunca fui muito com a cara de Wilker, mas achei que ele falou umas coisas bem interessantes sobre distribuição de conteúdo, cinema e televisão, que valem alguns comentários. Concordando ou não, são bons pontos para reflexão. Quem se interessar pode rever o programa, que é reprisado no sábado, às 10h30.
cinema_ Wilker disse que no Brasil inteiro hoje existem 2047 salas de cinema. Para efeito de comparação, ele deu o seguinte dado: só em Manhattan, um bairro de Los Angeles, existem mais salas do que no Brasil. Para ele, as salas que existem excluem moradores das periferias, principalmente por causa dos preços abusivos cobrados nos ingressos. O ator disse que deveriam ser abertas salas nos bairros periféricos, a preços populares, para atrair o público de baixa renda que tem sim interesse por cinema. Vide o exemplo Tropa de Elite.
cinema nacional_ Em 2008 os filmes nacionais terão 8% de ocupação garantida nas salas de cinema do país. Esse número vem diminuindo ano a ano, o que é algo ruim para José Wilker. Nesse ponto não concordo com ele. De que adianta obrigar o exibidor a passar o filme nacional e manter as salas vazias? É por isso que cada vez mais salas estão se fechando. O público não tem mais preconceito com o filme nacional, como já ficou claro com o sucesso de vários bons filmes nacionais nos últimos anos. Um dado interessante contado por Wilker: no momento cerca de 200 filmes nacionais estão em diferentes estágios de produção.
internet e televisão competindo com o cinema_ A internet não exclui o cinema e nem a televisão, assim como a TV não exclui o cinema. São mídias diferentes que devem se complementar. Um fato interessante que Wilker contou: o cinema deu mais certo em países onde se aliou à TV. O exemplo maior são os Estados Unidos. Lá, as emissoras abertas devem preencher a programação com pelo menos 40% de material comprado no mercado.
jornalismo na internet_ O jornalismo na internet é pobre. A necessidade de informação nova a cada minuto faz com que o jornalismo online seja baseado em achismos, a notícia não serve pra nada. Exemplo: “José Wilker foi ao médico”.
pirataria_ A pirataria na música de certa forma já se resolveu, uma vez que o pilar da música é o artista, que ganha dinheiro fazendo shows. No cinema, novas técnicas devem diminuir a pirataria (cinema digital?). O que preocupa o ator é a pirataria de outros produtos, como roupas e acessórios.
crítica_ Para José Wilker, a crítica não é uma engrenagem à parte, ela faz parte do sistema da arte. O que há hoje são maus críticos. Ele lembra de artistas como Van Gogh e Michelangelo que só foram reconhecidos por causa da crítica. Para ele, a crítica é fundamental para o crescimento da arte.
Palavras-chave: distribuição de conteúdo, gnt, josé wilker, marília gabriela
Posts relacionados:
Nenhum comentário

