5 Março 2008

(ir)RACIONAL Volume 3

Postado por João Paulo Mauler, às 14:30.

Você já deve ter visto o link para download do que seria o disco Racional 3 do Tim Maia. Vazou primeiro no blog Esquerda Festiva, com destaque do Alexandre Matias. A coisa começou a fazer barulho e o produtor Dudu Marote, que era o “dono” das tais faixas, deu uma explicação sobre o assunto.

O Paulo Terron fez um guia de links pra entender tudo sobre o caso, e eu destaco o ótimo podcast Qualquer Coisa onde o Terron, junto com Ronaldo Evangelista e Luís Flávio Júnior, comenta o assunto e toca a faixa “Escrituração Racional”. Imperdível!

Da minha parte, ouvi as tais faixas e achei, como a maior parte da obra de Tim Maia, genial! Pena que, pelo que parece, elas vão ficar soltas na rede por um bom tempo, já que as negociações com família de Tim para lançar qualquer produto ligado ao músico são sempre muito difíceis.


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7 Janeiro 2008

O som e a fúria de Tim Maia

Postado por João Paulo Mauler, às 14:14.

Para se fazer uma boa biografia, além de um bom escritor, é preciso um personagem biografado interessante e com boas histórias. Pensando por esse lado, é até de se estranhar que um livro sobre Tim Maia tenha demorado tanto a ganhar a luz do dia. Mas a espera valeu. O biografado, uma das figuras mais interessantes e controversas da música brasileira, tem histórias que poderiam muito bem figurar uma (boa) obra de ficção. E ninguém melhor que Nelson Motta para trazê-las à tona. Motta é uma das maiores autoridades em música no Brasil. Pudera. Além de jornalista, escritor, produtor e compositor, o cara teve contato próximo com grandes nomes da música e, por isso mesmo, mais do que testemunha, é personagem da história que se propõe a contar. Então, é com muita propriedade que Nelson Motta conta a história de Tim Maia pois, além de uma extensa pesquisa sobre a vida do cantor, ele era um grande amigo de Tim e, mais do que isso, um dos poucos que tinha respeito incondicional do músico.

No livro acompanhamos a trajetória de Tim Maia, ou melhor, Sebastião Rodrigues Maia, desde a infância no bairro da Tijuca no Rio de Janeiro, passando pela adolescência quando, em seu primeiro emprego, entrega marmitas feitas pelo pai na vizinhança. O trabalho não deu muito certo, porque Tim, na época Tião, insistia em “aliviar o peso” das marmitas antes de entregá-las. A viagem aos Estados Unidos, de onde voltou deportado, a tentativa de criar um grupo vocal com Roberto Carlos, que não deu certo por causa do gênio forte de Tim, a prisão no Brasil, as primeiras gravações e o estouro do dueto com Elis Regina (produzido por Nelson Motta), está tudo lá, contado com detalhes.

Tim Maia era uma figura tão divertida quanto controversa. Sua fama de doidão, que vivia drogado e não aparecia nos shows, é confirmada através de engrassadíssimas histórias, como a vez em que se escondeu em uma sala na gravadora para fumar um baseado em paz, mas não notou que ali era a central do ar-condicionado, e empesteou o prédio todo com o cheiro da maconha. Ou nas vezes em que, destruído por uma noitada intensa, simplesmente não aparecia nos show do dia seguinte. Ou quando, insatisfeito com o som (e ele sempre estava) ou com o contratante, saía no meio do show para não voltar mais (normalmente gritando para a banda a palavra “estratégia”, senha para sair de fininho). Ou nos intensos casos amorosos, marcados por idas e vindas. Ou mesmo nas frases e ditados que ele dizia à imprensa, muitas delas com o único intuito de se divertir às custas dos outros.

Além de ser um cara muito carismático, Tim Maia era também um dos mais talentosos músicos que o Brasil já viu. Sucessos como “Vale Tudo”, “Descobridor dos Sete Mares”, “Primavera”, “Um Dia de Domingo” são apenas alguns exemplos da obra riquíssima, do dono de uma das mais potentes e inconfundíveis vozes do país, e do mais empolgante show (isso quando ele aparecia, claro). O único porém era seu comportamento autodestrutivo, que o levou à morte prematura em 1998, aos 55 anos, quando já não apresentava a mesma potência vocal dos tempo áureos. Uma pena, talvez, mas se fosse diferente, e isso Nelson Motta mostra muito bem, não seria o Tim Maia do Brasil que todos nós aprendemos a gostar.

São histórias como essas que fazem de “Vale Tudo - O Som e a Fúria de Tim Maia” um livro delicioso, principalmente por expôr, com muito respeito mas sem aliviar a barra, um dos nomes mais intensos da nossa música. Como complemento ao livro, o site oficial da biografia tem extensa galeria de fotos, vídeos e música de Tim, além dos quatro primeiros capítulos do livro para download gratuito, uma espécie de aperitivo que diverte e dá gosto de quero mais.


Salvo em: Livros, Música

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