Matei um cara em São Paulo 
Postado por João Paulo Mauler, às 11:10.Não, esse post não é nenhuma confissão de homicídio. Como todos sabem (???) estive em São Paulo nos últimos dois dias fazendo pesquisa de campo para meu trabalho de conclusão de curso. Mas sobre isso falo depois. Hoje quero comentar outra coisa. Ou melhor, duas outras coisas…
Por pura falta do que fazer, fui para a rodoviária de SP com uma antecedência um tanto exagerada. Já tinha notado que a Superinteressante de novembro (adivinha a capa? Tropa de Elite, claro) tava bombando por lá, várias pessoas nas ruas traziam a revista debaixo do braço. Fui comprar a dita-cuja pra me divertir um pouco enquanto esperava o horário de voltar para a terrinha, e qual não foi minha surpresa ao ver que o exemplar estava simplesmente esgotado naquela banca. Isso só mostra que, apesar da discussão em torno do filme já estar cansando um pouco, o longa de José Padilha ainda rende muito pano pra manga e atrai a atenção da galera.
Sem ter a Super como opção, fui para a parte de pocket-books da banca/livraria, e achei lá um livrinho do Jorge Furtado chamado Meu Tio Matou Um Cara que, além do roteiro do filme homônimo tem a história que deu origem ao longa e outros contos do diretor. Se você não está ligando o nome à pessoa, Jorge Furtado é, na minha humilde opinião, o diretor mais foda do cinema brasileiro. São dele (roteiro e direção) o fantástico O homem que copiava, além do melhor filme de 2007 para mim, o inteligente Saneamento Básico, o filme.
O tal livrinho, que eu devorei em menos de duas horas, é uma coletânea de contos muito bem sacados, deliciosos de se ler, e com uma linguagem que quem já viu os filmes de Furtado sabe do que eu tô falando. Em um dos contos, uma mulher morre na véspera da virada do milênio, e de repente se vê representando a raça humana no juízo final. Em outro, a mesma mulher vai para o paraíso, só pra descobrir que o paraíso não é tão perfeito assim (e olha que lá ela tem o Murilo Benício como empregado).
Se o livro tem algum defeito é acabar rápido demais. O conto que dá nome ao livro e ao filme (que por sinal, eu ainda não assisti, mas agora quero muito) ocupa mais ou menos metade do livro (sem contar com a parte do roteiro do filme), e é impossível não ler de uma sentada. Os outros, mais curtinhos, são instigantes e divertidíssimos. No primeiro livro de ficção de Furtado, o gosto que fica é de quero (muito) mais!
Palavras-chave: jorge furtado, meu tio matou um cara, saneamento basico, superinteressante, tropa de elite
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