11 Fevereiro 2008

Cloverfield é isso tudo!

Postado por João Paulo Mauler, às 14:23.

Cloverfield é um daqueles filmes que, graças a uma estratégia de marketing eficiente, já chega às telas ganhando. Impossível não ficar curioso depois de meses de mistério, boatos e uma ansiedade crescente à medida em que começaram a pipocar as primeiras críticas positivas quando o filme estreou lá fora e, é claro, a constante lembrança de que Cloverfield é obra de um dos caras mais criativos de Hollywood, J.J. “Lost” Abrams. A única pulga que ficava atrás da orelha era mesmo: será que esse hype todo é furado, ou Cloverfield é isso tudo mesmo? E sim, Cloverfield é isso tudo!

A definição mais utilizada para o delírio de J.J. Abrams, dirigido por Matt Reeves, é uma mistura de Bruxa de Blair com Godzilla. A comparação faz sentido. Afinal, temos aqui um filme sobre um monstro atacando uma cidade, e o ponto de vista é o mesmo usado em Bruxa de Blair, feito como se fosse um vídeo caseiro não editado.

No filme, acompanhamos a festa de despedida de Rob (Michael Stahl-David), que está indo trabalhar no Japão. Para documentar a ocasião, seu melhor amigo, Hud (T.J. Miller) recebe a missão de tomar depoimentos dos convidados e gravar tudo o que rola na festa. As pessoas se divertem, dançam (a ótima trilha da festa foi compilada para download aqui), Hud grava uma discussão entre Rob e Beth (Odette Yustman), a garota que mais tarde vai motivar as andanças do grupo pela cidade, que ainda inclui Jason (Mike Vogel), irmão de Rob, sua namorada Lily (Jessica Lucas) e Marlena (Lizzy Caplan), a menina dos sonhos de Hud. De repente o que parece ser um terremoto abala a festa. A partir daí as coisas saem de controle muito rápido, e quando a cabeça gigantesca da Estátua da Liberdade rola pela rua, a coisa já começou pra valer.

Cloverfield

Cloverfield então passa a “documentar” a tentativa de fuga desse grupo de amigos pelas ruas de Nova York, sem entender muito bem o que está acontecendo. E é aí que a integração Blairwitch-Godzilla mostra a que veio. Ao contrário de outros filmes de monstro, aqui não temos aquela visão privilegiada, de cima, mas acompanhamos em primeira pessoa a visão de Hud, que não desliga a câmera em momento algum. E é por isso que nos sentimos tão parte do processo, e chegamos até a acreditar que aquilo ali é tudo verdade.

Não é à toa que alguns cinemas americanos estão advertindo os expectadores mais sensíveis. Hud não é lá um cinegrafista profissional, e somado ao nervosismo do momento, algumas imagens são mesmo muito chacoalhantes e podem causar náuseas. É interessante a maneira como Reeves incorpora o conceito por trás do filme e usa dos recursos de uma forma bem criativa. Por exemplo, sabemos que a gravação de Hud está sendo feita por cima de uma fita que já estava gravada por Rob e Beth, e isso é usado de forma brilhante em determinados momentos do filme, como no final por exemplo.

O monstro é apresentado aos poucos, vamos vendo o bichão de relance aqui e ali (o uso das imagens da TV em dado momento é uma ótima solução), o que não impede que quando, finalmente, podemos dar uma boa olhada nele, façamos com a respiração presa.

Falar mais sobre a trama poderia entregar surpresas que valem a pena serem vistas na tela grande. Mais do que simplesmente um filme, Cloverfield é uma experiência que merece, sim, ser degustada plenamente. Por isso, corra para o cinema mais próximo e assista a mais um surto de criatividade de J.J. Abrams.


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2 comentários

  • Thássius V. disse:

    Mas que a câmera sacolejando o tempo todo às vezes irrita, ah irrita!

    22 de Fevereiro de 2008 às 5:13

  • [Rec] e Quarantine | Yeah! disse:

    [...] [Rec] é a história de uma repórter de TV que, para uma reportagem, acompanha um grupo de bombeiros por uma noite. Ao atender um pedido aparentemente inocente, ela vai parar dentro de um prédio onde alguma coisa assustadora está acontecendo, tanto que o lugar é isolado e todos que estão dentro são impedidos de sair. O pulo do gato é que o filme é feito sob o ponto de vista da câmera da TV. Ou seja, a filosofia de A Bruxa de Blair e Cloverfield. [...]

    15 de Julho de 2008 às 9:39



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