Cloverfield é isso tudo! 
Postado por João Paulo Mauler, às 14:23.Cloverfield é um daqueles filmes que, graças a uma estratégia de marketing eficiente, já chega às telas ganhando. Impossível não ficar curioso depois de meses de mistério, boatos e uma ansiedade crescente à medida em que começaram a pipocar as primeiras críticas positivas quando o filme estreou lá fora e, é claro, a constante lembrança de que Cloverfield é obra de um dos caras mais criativos de Hollywood, J.J. “Lost” Abrams. A única pulga que ficava atrás da orelha era mesmo: será que esse hype todo é furado, ou Cloverfield é isso tudo mesmo? E sim, Cloverfield é isso tudo!
A definição mais utilizada para o delírio de J.J. Abrams, dirigido por Matt Reeves, é uma mistura de Bruxa de Blair com Godzilla. A comparação faz sentido. Afinal, temos aqui um filme sobre um monstro atacando uma cidade, e o ponto de vista é o mesmo usado em Bruxa de Blair, feito como se fosse um vídeo caseiro não editado.
No filme, acompanhamos a festa de despedida de Rob (Michael Stahl-David), que está indo trabalhar no Japão. Para documentar a ocasião, seu melhor amigo, Hud (T.J. Miller) recebe a missão de tomar depoimentos dos convidados e gravar tudo o que rola na festa. As pessoas se divertem, dançam (a ótima trilha da festa foi compilada para download aqui), Hud grava uma discussão entre Rob e Beth (Odette Yustman), a garota que mais tarde vai motivar as andanças do grupo pela cidade, que ainda inclui Jason (Mike Vogel), irmão de Rob, sua namorada Lily (Jessica Lucas) e Marlena (Lizzy Caplan), a menina dos sonhos de Hud. De repente o que parece ser um terremoto abala a festa. A partir daí as coisas saem de controle muito rápido, e quando a cabeça gigantesca da Estátua da Liberdade rola pela rua, a coisa já começou pra valer.

Cloverfield então passa a “documentar” a tentativa de fuga desse grupo de amigos pelas ruas de Nova York, sem entender muito bem o que está acontecendo. E é aí que a integração Blairwitch-Godzilla mostra a que veio. Ao contrário de outros filmes de monstro, aqui não temos aquela visão privilegiada, de cima, mas acompanhamos em primeira pessoa a visão de Hud, que não desliga a câmera em momento algum. E é por isso que nos sentimos tão parte do processo, e chegamos até a acreditar que aquilo ali é tudo verdade.
Não é à toa que alguns cinemas americanos estão advertindo os expectadores mais sensíveis. Hud não é lá um cinegrafista profissional, e somado ao nervosismo do momento, algumas imagens são mesmo muito chacoalhantes e podem causar náuseas. É interessante a maneira como Reeves incorpora o conceito por trás do filme e usa dos recursos de uma forma bem criativa. Por exemplo, sabemos que a gravação de Hud está sendo feita por cima de uma fita que já estava gravada por Rob e Beth, e isso é usado de forma brilhante em determinados momentos do filme, como no final por exemplo.
O monstro é apresentado aos poucos, vamos vendo o bichão de relance aqui e ali (o uso das imagens da TV em dado momento é uma ótima solução), o que não impede que quando, finalmente, podemos dar uma boa olhada nele, façamos com a respiração presa.
Falar mais sobre a trama poderia entregar surpresas que valem a pena serem vistas na tela grande. Mais do que simplesmente um filme, Cloverfield é uma experiência que merece, sim, ser degustada plenamente. Por isso, corra para o cinema mais próximo e assista a mais um surto de criatividade de J.J. Abrams.
Palavras-chave: cloverfield, j.j. abrams, lost
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