Fernando Morais em Juiz de Fora 
Postado por João Paulo Mauler, às 11:37.Ontem á noite tive a ótima surpresa de poder assistir a uma palestra do jornalista e escritor Fernando Morais. Surpresa porque, como tudo o que acontece de bom nessa cidade, o evento foi pouquíssimo divulgado. Ele veio a JF para divulgar o lançamento do seu último livro, O Mago, a fantástica biografia de um personagem mais polêmico impossível: o escritor Paulo Coelho.
Fernando Morais veio a convite de outra figura um tanto singular: o engenheiro juizforano Toninho Buda, que faz parte da história de Paulo Coelho e tem passagem de destaque em O Mago. Dizem por aí que Paulo e Toninho não são lá grandes amigos hoje em dia. Afinal foi Toninho quem escreveu o primeiro livro que saiu com a assinatura de Coelho na capa, e ele nem foi convidado para o lançamento. Mesmo assim, Buda está aproveitando o momento de fama criado pela biografia para garantir uns caraminguás.
A palestra teve mediação do próprio Toninho Buda que, na primeira hora e meia do evento, desferiu várias perguntas (desnecessárias) ao escritor. O assunto não podia ser outro: Paulo Coelho, a sociedade alternativa e até a vida sexual do mago, já que o livro revela que ele teve 3 relações homossexuais na vida (Morais, muito espirituoso, até disse que um deles poderia ser Buda, mas desmentiu depois).
Mas a melhor parte da palestra mesmo foi quando Fernando Morais comentou a produção de O Mago e falou sobre o processo de escrever um livro. Ele disse que o volume de papel gerado pelas pesquisas é tão grande que ele pretende doar todo o material para uma instituição de pesquisa em sua cidade natal, Mariana, e deixar à disposição de quem quiser ver. Também falou sobre os gastos imensos nessa empreitada, que envolveu inúmeras viagens aéreas e contratação de profissionais para ajudá-lo nas pesquisas. Todo o orçamento foi coberto pela editora Planeta e por ele mesmo. Morais disse que sempre usa os lucros do livro anterior para escrever o seguinte, e assim não depender de leis de incentivo ou outras amarras criativas.
Perguntado sobre sua recepção ao filme Olga, baseado em seu livro de mesmo nome, ele disse ter gostado muito, e até se emocionado com a produção de Jayme Monjardim, apesar do filme ter sido muito criticado na época do lançamento. Para ele, a obra que tentar agradar à crítica em vez do público não vai ser visto nem por bactérias. Outra pergunta foi sobre a questão envolvendo a biografia de Roberto Carlos, de Paulo César de Araújo, cuja circulação foi proibida pelo biografado. Fernando Morais considera esse um fato perigoso e que abre um precedente péssimo. Ele disse que várias editoras estão submetendo biografias aos departamentos jurídicos e censurando passagens que podem gerar polêmica. O escritor se disse ex-fã de Roberto Carlos, e que na casa dele não entram mais discos do Rei.
Perguntado sobre seus próximos projetos, ele disse ainda não saber o que vai fazer a seguir, além de descansar bastante. Mas entre as possibilidade está uma obra sobre Getúlio Vargas, para ele o personagem mais marcante da história brasileira. Ele também disse se interessar bastante pela fase de nossa história entre a proclamação da república e a revolução de 1930.
Quem pôde conferir a palestra de quase 2 horas e meia de Fernando Morais teve uma aula do que é ser um escritor brilhante. Morais é uma das figuras mais inteligentes da cultura brasileira, e mais gente deveria ler e ouvir as suas idéias. Pena que na quarta-feira, 17 de setembro, nem metade dos 320 lugares do Teatro da Academia estavam tomados.

Eu e minha amiga Raquel Turetti “tietando” Fernando Moraes depois da palestra
Salvo em: Juiz de Fora, Livros
Palavras-chave: fernando morais, jayme monjardim, olga, paulo coelho, toninho buda
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