26 Julho 2008

Batman - The Dark Knight

Postado por João Paulo Mauler, às 21:49.

Sempre gostei de filmes de super-heróis. Mas nunca agradei muito dos filmes do Batman. Os atores que encarnaram o morcegão nunca me fizeram aplaudir de pé, e sempre achei que as tramas ficavam devendo alguma coisa. Talvez pelo fato do Batman ser um herói que não tem poderes especiais, as tramas pecavam pelo excesso de fantasia. Daí veio Christopher Nolan e Batman Begins. O filme era mais realista e zerava a história cinematográfica do homem-morcego de forma magistral. Parecia que o melhor filme de Batman havia sido feito. Mas só parecia.

Amparado por uma campanha de marketing gigantesca e bem planejada, The Dark Knight chegou às telas no último fim-de-semana e bateu todos os recordes de bilheteria. Não é à toa. O filme é, de longe, o melhor já feito baseado em quadrinhos, e não é exagero quando comparam o longa a O Poderoso Chefão. Por quê?

A história_ Esqueça histórias infantis e inverossímeis. Aqui, a trama é complexa e bem amarrada. Não é um filme sobre um justiceiro mascarado. É um filme sobre uma cidade dominada pelo crime, sobre pessoas que lutam contra o crime e, claro, sobre um justiceiro mascarado. Isso dá um tom de realismo único ao longa. A trama é extremamente bem construída, e após as quase 3 horas de projeção (que nem parecem ser tão longas) nenhuma amarra fica solta, e a vontade que fica é que o filme tivesse pelo menos mais umas 5 horas.

O elenco_ Christian Bale é o Batman. Fato! Nenhum dos protagonistas anteriores conseguiu transportar tão bem para a tela as contradições de Bruce Wayne. Mas o elenco que o circunda é estelar. Aaron Eckhart traça com perfeição a linha que vai da honestidade do político que quer limpar as ruas de Gotham ao traumatizado vilão que perde metade do rosto, e algo mais, e parte para uma vingança cega. E como se não bastasse temos Gary Oldman dando show como o Tenente/Comissário Gordon, Morgan Freeman como Lucius Fox e Michael Caine sempre preciso como o mordomo Alfred. Maggie Gyllenhaal pode não surpreender muito como Rachel Dawes, mas pelo menos está anos-luz à frente da insossa Katie Holmes.

O Coringa_ Pois é! Falar de The Dark Knight sem falar no Coringa de Heath Ledger é deixar uma parte (a mais importante) do filme para trás. A atuação de Ledger é assustadora de tão boa, e a gente simplesmente esquece que tem um ator ali por trás. Os trejeitos, as risadas insanas, as mexidas com a língua, as engolidinhas de saliva (por conta da cicatriz na boca do vilão), tudo ajuda a criar a personalidade caótica do Coringa. Não é o caso de comparar, pois o Coringa de Jack Nicholson tinha um tom mais voltado para o humor, enquanto o de Ledger é mais insano. Mas se fosse, Heath Ledger ganharia disparado.

Uma última dica: assista a esse filme no cinema. The Dark Knight foi feito para ser aproveitado em uma tela grandona, com um som envolvente. Aliás, filmes perfeitos têm essa característica. Merecem a experiência de serem assistidos em uma sala de cinema.


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2 Julho 2008

Wall-E escondido

Postado por João Paulo Mauler, às 13:49.

Ainda na febre Wall-E… você sabe que a idéia do filme não é nova, né? Ela foi criada em 1994, quando os criadores da Pixar (Andrew Stanton, Joe Ranft, John Lasseter e Pete Docter) fizeram um brainstorm durante um almoço informal. Na época Toy Story acabara de ser lançado, e eles começaram a ter idéias para outras animações. Ali surgiu Procurando Nemo, Monstros S.A., Vida de Inseto… e Wall-E!

Como as histórias foram idealizadas ao mesmo tempo,  mas produzidas aos poucos desde então, a Pixar encheu os filmes de referências cruzadas. Assim, Nemo aparece em Monstros S.A. (que foi lançado dois anos antes de Procurando Nemo) e Wall-E deu as caras em Os Incríveis, Toy Story 2 e Carros. No vídeo abaixo você vê essas referências, que são muito legais:

Ah, com isso a Pixar encerra uma fase de sua história, já que todos os filmes idealizados naquele almoço de 15 anos atrás foram feitos.


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28 Junho 2008

Wall-E

Postado por João Paulo Mauler, às 19:09.

Nas primeiras cenas de Wall-E, vemos o simpático robozinho cumprindo mecanicamente sua tarefa de juntar e compactar o lixo deixado pelos seres humanos na Terra. Pelo tamanho das pilhas de lixo compacto que formam a paisagem pós-apocalíptica que nos é apresentada, dá pra perceber que o pequeno Wall-E está ali há bastante tempo (700 anos, sabemos depois). Depois de tanto tempo, parece que o robô desenvolveu uma personalidade, e passa os dias colecionando objetos interessantes que coleta no meio do lixo, explorando o ambiente com seu espírito curioso, acompanhado do único ser vivo que sobrou na Terra, uma barata tão curiosa quanto Wall-E. E claro, assistindo Hello, Dolly em seu iPod e tentando imitar as cenas.

Não é preciso mais do que 10 minutos de filme para que a afeição por Wall-E fique evidente. Ao mesmo tempo em que nos apaixonamos por uma das criaturas mais carismáticas já apresentadas no cinema, fica também uma certa angústia provocada pela solidão do personagem. É quando uma nave espacial desce na Terra, provocando tremores de medo em Wall-E, e despertando sua curiosidade sobre a robô que sai de dentro da nave, a modernosa e nervosinha Eva.

Eva é um robô mandado à Terra para procurar vestígios de que o ambiente já é propício para a volta dos humanos que, após tornarem o planeta inabitável com tanto lixo, precisaram se exilar no espaço. E é uma pequena plantinha guardada por Wall-E que dá a missão de Eva por cumprida. Nesse momento, a curiosidade de Wall-E já virou o mais puro amor por Eva. Chega a comover a forma como o robô faz tudo para proteger a amada quando ela está “desligada”, ou a timidez da tentativa de pegar na mão de Eva pela primeira vez.

Quando a nave volta para buscar Eva, Wall-E não quer ficar sozinho novamente e dá um jeito de ir junto. A partir desse momento a história passa para a nave dos humanos, que são retratados como criaturas gorduchas e preguiçosas. Nesse momento, o filme perde um pouquinho o ritmo, mas só porque queremos mais e mais Wall-E vivendo suas confusões atrás de Eva. Nada que tire o brilho do filme.

Falar das qualidades de Wall-E é difícil, de tão fácil se apaixonar pelo robozinho. Seu jeito inocente, desastrado, mas extremamente simpático e amoroso, é  capaz de derreter até mesmo os mais durões. O personagem consegue transformar um filme onde os diálogos ocupam espaço mínimo em uma experiência mágica e deliciosa. Mais do que isso, Wall-E tem o poder de trazer uma mensagem ambiental tão contundente quanto Uma Verdade Inconveniente, sem o academicismo de Al Gore, e sem cair no ridículo como M. Night Shyamalan em Fim dos Tempos. O humor de Wall-E é delicioso e inocente, e consegue arrancar de gargalhadas sinceras a sorrisos tímidos, e duvido que em dado momento alguém tenha conseguido evitar os olhos marejados.

Dizem que Wall-E é uma das melhores animações já feitas. Mentira pura! Wall-E é um dos melhores filmes já feitos. O fato de ser um desenho animado é apenas um artifício para contar uma boa história. E não é disso que é feita a magia do cinema?

P.S.: Não saia do cinema antes do fim dos créditos. A história continua ali de forma magnificamente criativa.


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15 Junho 2008

Pharrell Williams é o cara!

Postado por João Paulo Mauler, às 16:01.

Dos produtores e rappers da moda, talvez o que mais esteja na moda seja Pharrell Williams. Não é à toa que o cara está na crista da onda. Ele produziu sete faixas do novo disco da Madonna (e fez até a cantora chorar), duas do The Hives, gravou junto com Santogold e Julian Casablancas a faixa My Drive Thru (baixe aqui), para comemorar os 100 anos da Converse, e já avisou que quer produzir o próximo disco dos Strokes.

Essa semana, pra completar o hype, Pharrell lançou, junto com os amigos Chad Hugo e Shae Haley, o terceiro álbum do trio N.E.R.D, Seeing Sounds. O sucesso do trio é completamente justificado. O álbum é realmente muito bom. O primeiro single, Everyone Nose, é daquelas músicas contagiantes que fazem você até esquecer que não gosta de rap. O disco ainda flerta com o soul em Yeah You e Sooner or Later, com o rock em Happy, Kill Joy e na deliciosa Windows, para mim a melhor do disco. Até nas baladas os caras mandam bem, como prova a bela Love Bomb.

No conjunto, Seeing Sounds é um dos discos mais interessantes dentre os lançados em 2008 até aqui, o que não é pouco. Pharrell Williams parece mesmo ter um toque de ouro para a música atual, como poucos. Se livre dos preconceitos, ouça o disco do N.E.R.D e você vai me dar razão.

Ah, como não podia ser diferente, o disco pode ser baixado na rede, aqui ou aqui. Veja só o clipe de Everyone Nose aqui embaixo. O vídeo tem participação especial de Lindsay Lohan e Samantha Ronson (irmã do Mark):


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10 Junho 2008

Sex & The City - O Filme

Postado por João Paulo Mauler, às 17:32.

Poucos filmes têm causado tamanha divisão de opiniões quanto esse Sex & The City. Li muitas críticas negativas antes de ir eu mesmo conferir o longa (literalmente, são longas duas horas e meia), e confesso que cheguei na sala de projeção com o pé atrás. Aqui vale destacar que nunca fui fã da série, assisti ao começo da primeira temporada e alguns episódios espalhados depois disso. E não achei o filme assim tão ruim.

O filme começa com um geralzão do que aconteceu nos finalmentes do seriado, para aqueles que (como eu) não têm idéia de como terminou a saga das quatro amigas na TV, e dá uma atualizada para chegarmos ao ponto onde a história acontece, quatro anos depois. Carrie (Sarah Jessica Parker) está feliz com Big (Chris Noth), tanto que os dois resolvem se casar. Ninguém fica mais empolgada com a notícia que Charlotte (Kristin Davis). Ela está casada e feliz por ter uma filha adotiva, a fofa Lily (que tem como mais da metade de suas falas no filme a palavra sex). Miranda (Cynthia Nixon) vive uma crise no casamento e Samantha (Kim Cattrall) tenta se habituar à vida de casada em Los Angeles.

Apesar de bastante previsível, a história tem seus bons momentos, a maioria deles protagonizados por Charlotte, que se destaca em várias passagens e protagoniza uma das cenas mais hilárias do longa (tudo bem que eu nunca imaginei que fosse ver piada de peido em Sex & The City, mas…). Das quatro, quem está pior é Miranda, que no filme virou uma mulher amarga e enjoada. Samantha como sempre está linda (e pensar que Kim Cattrall quase não entrou no filme) e Sarah Jessica Parker é aquele picolé de xuxu de sempre. Até Jennifer Hudson consegue estar bem, como a assistente de Carrie, Louise.

Não sei se sou eu quem não entendo nada de moda ou os produtores do filme que erraram a mão, mas achei a maior parte das roupas que as quatro usam simplesmente ridículas, incluindo o vestido de casamento de Carrie com um troço azul pendurado no cabelo (que até rende uma piada). No mais, a estética do filme é a de um grande episódio da série, inclusive com a narração em off de Carrie.

Se levar em conta a reação das pessoas na sala de cinema em que assisti Sex & The City, em um domingo à tarde (a maioria eram mulheres na casa dos 30 anos, provavelmente aquelas que acompanham a série desde o começo, em 1998), o filme é um sucesso. Todo mundo ria muito, comentava as cenas, e vi muitos rostos inchados ao final da sessão. E aí não interessa o que a crítica achou. Parece que os fãs deram seu veredicto.


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6 Junho 2008

Weezer - Red Album

Postado por João Paulo Mauler, às 16:38.

Tenho notado uma certa implicância da crítica em relação ao recém-lançado novo disco do Weezer, homônimo e carinhosamente apelidado de The Red Album. Puro exagero. Se por um lado o sexto disco da banda não chega perto da grandiosidade dos dois primeiros (O Blue Album de 1994 e Pinkerton de 1996), ele por pouco não supera o Green Album de 2001 e é com certeza melhor que Maladroit (2002) e Make Believe (2005).

O recado do álbum parece ser “Não leve tudo tão a sério”. De fato, ouvir Weezer despretensiosamente mostra que o disco não é assim tão descartável, e que a banda definitivamente não está fora de forma. Afinal, quantas músicas tão gostosas quanto Pork And Beans e Troublemaker são feitas por aí ultimamente? Quantas baladas soam tão inspiradas quanto Heart Songs? Quantas canções são tão curiosas quanto a épica The Greatest Man That Ever Lived (Variations On A Shaker Hymn)? Fazendo as contas dá pra ver que pelo menos 5 das 10 músicas são realmente boas e as outras 5, se não são verdadeiras pérolas, também não chegam a ser constrangedoras (apesar da bobagem rapper de Everybody Get Dangerous bater na trave). Vale ainda uma menção honrosa Tought I Knew, cantada pelo guitarrista Brian Bell, preguiçosa, porém com um balanço gostosinho.

Portanto, esqueça essa bobagem de Rivers Cuomo na meia-idade, Weezer soando não-Weezer e o que mais for dito por aí. O que importa é se divertir com a música. E como o Weezer já mostrou no primeiro single (e seu fantástico clipe), esse Red Album tem potencial.


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1 Junho 2008

Festa Country 2008

Postado por João Paulo Mauler, às 16:37.

Conforme avisei aqui, durante o feriado da semana passada estive fazendo a cobertura oficial da Festa Country 2008. Para quem não é de Juiz de Fora, a Festa Country é um dos eventos mais tradicionais da cidade, e é realizada anualmente desde 1998 pela Front Produções. Além dos tradicionais rodeios, as grandes atrações da Festa são os shows de grandes artistas locais e nacionais nos três palcos do evento.

Não lembro a primeira vez que fui à Festa, mas sei que sempre fui um freqüentador mais ou menos assíduo. Também, é uma das poucas opções que nós juizforanos temos para ver grandes nomes da música nacional. Esse ano, consegui ter um panorama melhor das atrações, por causa da participação na cobertura para o site oficial da Festa. Assim, além de poder assistir aos shows de forma privilegiada, no conforto do camarote ou na área VIP em frente ao palco, deu pra visitar o backstage e conversar com boa parte dos artistas que se apresentaram.

No primeiro dia, Jorge Ben Jor abriu a festa com um show… chato! Não sou fã do cara nem nada, mas ele cantou tipo umas duas horas, e parecia que era a mesma música o tempo todo. Mas tudo ia melhorar, com a entrada de Fernanda Abreu. Fiquei impressionado com o charme de Fernanda no palco e o repertório invejável da cantora, que fez fácil um dos melhores shows de toda a festa. Nos bastidores, ela comentou sobre a perspicácia da organização ao misturar artistas de gêneros tão diferentes, enriquecendo assim a festa. E, ao contrário do que eu imaginei que seria, ela foi muito simpática e recebeu a imprensa com todo o carinho e paciência. Mesmo caso de Saulo Fernandes, vocalista da Banda Eva, a última atração da noite. Ele prometeu que ia espantar o frio logo na primeira música, e cumpriu a promessa. O show talvez tenha sido o mais animado da Festa Country. Mal deu pra perceber que não estávamos no JF Folia. E pra mim ficou a grudenta Nosso Amor É Lindo. Não sou fã da Banda Eva, mas que música gostosinha! (#prontofalei)

Na segunda noite, a abertura era com os juizforanos do Strike, de volta à cidade após o estouro nacionalmente com direito a música na abertura da Malhação. No camarim, os meninos não escondiam a empolgação de tocar no palco principal da festa, e preparavam várias surpresas para a noite, como as participações do rapper Cabal e do intrumentista Joãozinho da Percussão. O show, como esperado, foi intenso. Depois deles, a grande decepção da Festa Country: eu esperava um show apoteótico no encontro entre Paralamas do Sucesso e Titãs, mas vi uma apresentação bem sem graça. A tal integração entre as duas bandas no palco não aconteceu de fato. Tivemos momentos Paralamas e momentos Titãs, mas as duas juntas como uma só banda não foi nada assim memorável.

No terceiro dia, a única atração “importada” foi a dupla Bruno e Marrone. Apesar da falta de paciência dos caras com a imprensa e de eu não ser muito chegado no som deles, acho sempre emocionante quando um artista consegue mobilizar o público de tal forma a transformar um show em uma verdadeira experiência coletiva. E isso a dupla fez muito bem.

Na última noite, o Natiruts fez aquele show morninho, onde teve espaço até para pagode e axé music. O Rappa fez mais um showzasso competente, mostrando que a banda não precisa provar nada a ninguém e deixando o recado de quem vem aí um disco novo totalmente diferente de tudo o que já se ouviu dos caras. Mas quem se destacou na noite foi mesmo o NX Zero. Ou melhor, as fãs deles. Nunca vi um grupo de meninas tão fanáticas pelos ídolos quanto as fãs do NX Zero que lotaram o Parque de Exposições. Impressionante o volume da gritaria que elas arrumaram, a ponto de quase conseguir abafar a sonzeira dO Rappa (OK, exagerei um pouco). Justiça seja feita, os garotos são extremamente simpáticos e fizeram um show competente e mais divertido do que eu achei que seria.

No fim das contas a Festa Country foi um evento pra lá de divertido. Não só pela ótima experiência que tive cobrindo um evento grande com artistas de renome, mas também por mais uma vez dar ao público de Juiz de Fora, não muito acostumado a ver um monte de atrações de fora, a oportunidade de conhecer, e também rever, alguns nomes que fazem parte da história da música brasileira.

As imagens que ilustram esse texto são de Álvaro Barbosa e Paula Bento, e podem se vistas, junto com muitas outras, na cobertura oficial do site da Festa Country.


Salvo em: Crí­ticas, Juiz de Fora, Música

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17 Abril 2008

How I Met Your Mother

Postado por João Paulo Mauler, às 18:59.

Em um episódio da segunda temporada de How I Met Your Mother, três personagens estão em um ambiente muito parecido com o Central Perk de Friends, quando chegam a uma conclusão: “Ir a uma cafeteria não é tão divertido quanto ir a um bar”. Pode até ser que não, mas que eu não ria tanto com um seriado desde Friends, isso é inegável.

Justiça seja feita, só voltei minha atenção à série quando ela virou moda nas últimas semanas, por causa da participação especial de Britney Spears. Resolvi correr atrás desse programa que já tinha ouvido falar um pouco, mas nunca tive saco tempo para ver qual é. E confesso que me surpreendi da melhor forma possível.

How I Met Your Mother é centrada na vida de Ted Mosby (Josh Radnor), um jovem arquiteto solteiro de New York. Tudo começa quando seu companheiro de apartamente e melhor amigo Marshall (Jason Segel), um estudante de direito, resolve pedir a namorada Lily (Alyson Hannigan), professora de jardim de infância, em casamento. Ted então resolve começar a procurar a futura mãe de seus filhos. A série, aliás, é narrada pelo Ted do futuro, que resolve contar aos dois filhos como conheceu a mãe deles.

Em um bar que ele costuma freqüentar com os amigos, Ted conhece Robin (Cobie Smulders), uma jornalista canadense que se envolve com o rapaz, mas acaba virando mesmo é amiga do grupo. Completa o elenco principal Barney (Neil PAtrick Harris), um cara que só quer saber de se dar bem e pegar muitas garotas, sempre vestido com um belo terno.

A partir daí a história é centrada na busca de Ted por um amor verdadeiro, mas a beleza da série está mesmo na sólida amizade que se dá entre os cinco. É aí que residem as comparações com Friends. Afinal, assim como na lendária (só para usar um termo que Barney diria) série que durou 10 anos, aqui eles fazem tudo juntos, freqüentam um só lugar (lá era uma cafeteria, aqui um bar) e tem uma cumplicidade única.

E How I Met Your Mother é uma série realmente muito engraçada. Me pego dando gargalhadas sozinho muitas vezes, coisa que não fazia desde… er… desde Friends. A estrutura da série, que abusa da falta de linearidade para contar as histórias, também é algo digno de nota. Muitas vezes o mesmo fato é visto sob a ótica de mais de um personagem, e só assim é possível entender as histórias, ou usam de pulos no tempo para completar as narrativas. Tudo isso usado com o melhor dos propósitos: fazer rir.

Portanto, esqueça que HIMYM é a série onde Britney Spears apareceu, e procure assistir tudo desde o começo. O programa está na metade da terceira temporada. Portanto é um prato cheio para quem está procurando um seriado novo para ver. Algumas boas horas de diversão já estão garantidas.


Salvo em: Crí­ticas, Televisão

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11 Fevereiro 2008

Cloverfield é isso tudo!

Postado por João Paulo Mauler, às 14:23.

Cloverfield é um daqueles filmes que, graças a uma estratégia de marketing eficiente, já chega às telas ganhando. Impossível não ficar curioso depois de meses de mistério, boatos e uma ansiedade crescente à medida em que começaram a pipocar as primeiras críticas positivas quando o filme estreou lá fora e, é claro, a constante lembrança de que Cloverfield é obra de um dos caras mais criativos de Hollywood, J.J. “Lost” Abrams. A única pulga que ficava atrás da orelha era mesmo: será que esse hype todo é furado, ou Cloverfield é isso tudo mesmo? E sim, Cloverfield é isso tudo!

A definição mais utilizada para o delírio de J.J. Abrams, dirigido por Matt Reeves, é uma mistura de Bruxa de Blair com Godzilla. A comparação faz sentido. Afinal, temos aqui um filme sobre um monstro atacando uma cidade, e o ponto de vista é o mesmo usado em Bruxa de Blair, feito como se fosse um vídeo caseiro não editado.

No filme, acompanhamos a festa de despedida de Rob (Michael Stahl-David), que está indo trabalhar no Japão. Para documentar a ocasião, seu melhor amigo, Hud (T.J. Miller) recebe a missão de tomar depoimentos dos convidados e gravar tudo o que rola na festa. As pessoas se divertem, dançam (a ótima trilha da festa foi compilada para download aqui), Hud grava uma discussão entre Rob e Beth (Odette Yustman), a garota que mais tarde vai motivar as andanças do grupo pela cidade, que ainda inclui Jason (Mike Vogel), irmão de Rob, sua namorada Lily (Jessica Lucas) e Marlena (Lizzy Caplan), a menina dos sonhos de Hud. De repente o que parece ser um terremoto abala a festa. A partir daí as coisas saem de controle muito rápido, e quando a cabeça gigantesca da Estátua da Liberdade rola pela rua, a coisa já começou pra valer.

Cloverfield

Cloverfield então passa a “documentar” a tentativa de fuga desse grupo de amigos pelas ruas de Nova York, sem entender muito bem o que está acontecendo. E é aí que a integração Blairwitch-Godzilla mostra a que veio. Ao contrário de outros filmes de monstro, aqui não temos aquela visão privilegiada, de cima, mas acompanhamos em primeira pessoa a visão de Hud, que não desliga a câmera em momento algum. E é por isso que nos sentimos tão parte do processo, e chegamos até a acreditar que aquilo ali é tudo verdade.

Não é à toa que alguns cinemas americanos estão advertindo os expectadores mais sensíveis. Hud não é lá um cinegrafista profissional, e somado ao nervosismo do momento, algumas imagens são mesmo muito chacoalhantes e podem causar náuseas. É interessante a maneira como Reeves incorpora o conceito por trás do filme e usa dos recursos de uma forma bem criativa. Por exemplo, sabemos que a gravação de Hud está sendo feita por cima de uma fita que já estava gravada por Rob e Beth, e isso é usado de forma brilhante em determinados momentos do filme, como no final por exemplo.

O monstro é apresentado aos poucos, vamos vendo o bichão de relance aqui e ali (o uso das imagens da TV em dado momento é uma ótima solução), o que não impede que quando, finalmente, podemos dar uma boa olhada nele, façamos com a respiração presa.

Falar mais sobre a trama poderia entregar surpresas que valem a pena serem vistas na tela grande. Mais do que simplesmente um filme, Cloverfield é uma experiência que merece, sim, ser degustada plenamente. Por isso, corra para o cinema mais próximo e assista a mais um surto de criatividade de J.J. Abrams.


Salvo em: Cinema, Crí­ticas

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7 Fevereiro 2008

Sheryl Crow e seus desvios

Postado por João Paulo Mauler, às 15:18.

Detours é o título do novo álbum de Sheryl Crow. A palavra quer dizer desvios, e pode se referir tanto aos problemas pelos quais a cantora passou nos últimos anos quanto ao momento vivido pelos Estados Unidos. Detours é o disco mais pessoal de Sheryl Crow (clique no bottom ao lado para entrar no site oficial da cantora), e talvez por isso mesmo um dos melhores de sua carreira.

Aos 45 anos, 15 passados desde o estouro do primeiro disco com a canção “All I Wanna Do”, Sheryl Crow passou por muita coisa, e muito disso está em Detours. A luta contra o câncer de mama é o tema de “Make It Go Away”, música sobre o tratamento com radiação. O fim do noivado de anos com o ciclista Lance Armstrong aparece em “Diamond Ring”. A maternidade é o tema de “Lullaby For Wyatt”, uma bela canção de ninar feita para seu filho adotivo Wyatt, de 8 meses. Mas o que aparece com força no álbum é mesmo a convicção política de Sheryl. Ela fala sobre um mundo em colapso na canção “Shine Over Babylon”, os rumos dos Estados Unidos pós 11 de setembro em “God Bless This Mess”, o terror do furacão Katrina em “Love Is Free”, e até sobre os altos preços da gasolina em “Gasoline”.

Detours - Sheryl CrowMusicalmente, Detours marca o retorno da parceria entre Sheryl Crow e Bill Bottrell, que produziu Tuesday Night Music Club, primeiro álbum da cantora. “Love Is Free” é deliciosa, daquelas que dá vontade de ouvir sem parar, e “Gasoline” não fica atrás. “Peace Be Upon Us” usa elementos árabes para falar sobre tolerância entre as pessoas. A faixa-título é um country que só mesmo Sheryl Crow poderia fazer. “Love Is All There Is” e “Now That You’re Gone” parecem prontas para ganhar as rádios. “God Bless This Mess”, o novo single (veja o clipe), tem som de rádio antigo. “Shine Over Babylon” é grandiosa sem perder a pegada pop. “Out Of Our Heads”, com seu coro alegrinho, e “Motivation” são as mais dançantes em um álbum com músicas para todos os gostos , que representam o melhor de Sheryl Crow.

Com Detours, Sheryl Crow parece exorcizar seus demônios, de forma muito esperançosa, e mostra que, mesmo com os desvios, ela sabe qual o caminho a seguir, e o faz bem como poucos músicos hoje em dia.


Salvo em: Crí­ticas, Música

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