Amanhã é dia de Oscar, a festa mais glamourosa do cinema mundial. É o melhor momento para ver e ser visto em Hollywood. Consagração e reconhecimento para os que levam a estatueta para casa, a oportunidade de ter seus cinco minutos sob os holofotes para quem foi só indicado, todo mundo quer aparecer na festa. Mas na história da premiação, muita gente deve ter se arrependido por trocar o conforto da cama pelo tapete vermelho.
Imagine a cena: um ator ou atriz a caminho do palco para receber um Oscar, quando percebe que não foi o vencedor daquela categoria. Inimaginável? Pois isso já aconteceu, e não foi uma vez só. Em 1944, Humphrey Bogart se levantou antes mesmo que o melhor ator daquele ano fosse divulgado. Quando notou que não era ele o vencedor, o astro de Casablanca disfarçou, aplaudindo o colega Paul Lucas de pé. Pior aconteceu com a atriz Shelley Winters em 1952. Também cheia de autoconfiança, ela se dirigiu ao palco antes da verdadeira ganhadora, Vivien Leigh, ser anunciada. Seu marido, o italiano Vittorio Gasman, tantando salvar a atriz do vexame, piorou a situação. Ao puxá-la de volta para a cadeira, acabou levando um tombo, e ambos caíram no chão. Outro que se deu mal pelo excesso de confiança foi Steven Spielberg. Em 1976, certo da vitória como diretor do filme Tubarão, levou uma equipe de filmagem para captar sua reação no momento da vitória. Quando Milos Forman foi anunciado o vencedor por Um Estranho no Ninho, o cineasta não escondeu a decepção, e soltou um “Não acredito” para a câmera.
Enquanto alguns fazem de tudo para pôr as mãos no Oscar, outros chegam a esnobar o prêmio. Em 1973 Marlon Brando recusou o troféu de melhor ator, e mandou uma índia para discursar em seu lugar, protestando contra o tratamento dado aos indígenas na América. Depois soube-se que a índia era fajuta, e tratava-se de uma atriz. Woody Allen não recusou o prêmio que ganhou em 1978, mas também não se deu ao trabalho de ir buscar a estatueta. Ele alegou ter um compromisso inadiável naquela noite. O tal compromisso era uma apresentação de sua banda de jazz em um pub de Manhattan.
Muitos astros levaram o Oscar para casa mas garantem que preferiam ter ficado sem o prêmio, que prejudicou suas carreiras. É o caso de Gwyneth Paltrow. Premiada pelo filme Shakespeare Apaixonado, a atriz garante ter sido prejudicada pela vitória, que a levou a fazer escolhas equivocadas e ter seu cachê inflacionado quando ela tinha apenas 26 anos. O melhor exemplo para provar que nem sempre o Oscar é sinônimo de reconhecimento eterno é o fato de três atrizes já terem sido agraciadas com o Oscar e, depois, com o Razzie (no Brasil, Framboesa de Ouro), troféu que “premia” os piores de Hollywood. Foram elas Liza Minelli, Faye Dunaway e, mais recentemente, Halle Berry. Essa última levou tudo na brincadeira, e inclusive foi à entrega do Framboesa e até discursou agradecendo o prêmio e admitindo ter feito más escolhas.
Um dos momentos mais propensos a saias justas é a hora em que o agraciado com o Oscar faz seu discurso de agradecimento. Quando o discurso é longo, a organização não tem dó, e corta o microfone do vencedor. Em 2006, a Academia chegou a distribuir um vídeo entre os possíveis ganhadores, com orientações para evitar gafes nesse momento. O vídeo trazia exemplos de comportamentos errados na hora de agradecer, como um soco no ar de Jack Palance, a choradeira de Gwyneth Paltrow, ou o indelicado beijo na boca que Adrien Brody roubou de Halle Berry. O vídeo ainda orienta que os discursos não devem ultrapassar os 60 segundos. Não é à toa. Em 1942 a atriz Greer Garson fez o maior discurso da história: uma hora e dez minutos. Nem o médico que fez o parto de sua mãe ficou de fora da lista.
Mas nem sempre a gafe parte dos convidados. Em 2005 foi a vez da Academia fazer feio. Jorge Drexler foi sumariamente descartado de interpretar sua composição “Al Otro Lado Del Rio”, indicada a melhor canção. Em seu lugar subiram ao palco Antonio Banderas e Santana. Mas o uruguaio teve a chance de se redimir. A canção foi a vencedora da noite, e Drexler fez questão de cantar o refrão ao agradecer o prêmio, arrancando aplausos da platéia.
Quem depende da TV aberta para ver as grandes premiações tem motivos de sobra para reclamar. Quando a Globo exibe o Oscar, como vai acontecer esse ano, a transmissão começa na hora que a emissora carioca quer, ou seja, depois do Fantástico, Big Brother e quando vários prêmios já foram entregues.
Quando a festa ficava por conta do SBT, os comentários nem sempre úteis de Rubens Ewald Filho costumavam irritar alguns expectadores. Mas o pior era quando ele não estava sozinho. Basta lembrar o Globo de Ouro de 2006, quando Analice Nicolau apresentou o prêmio junto com o crítico, e chamou Tim Robbins de Jamie Foxx, Marie-Louise Parker de Chris e pronunciou o nome de Reese Wihiterspoon de uma forma irreconhecível. Rubens não ficou para trás, e chamou Mariah Carey de gorda, Joaquin Phoenix de defeituoso e completou dizendo que o queixo de Reese Whiterspoon parece um cotovelo. Perto disso, as gafes das estrelas em Hollywood nem parecem tão grandes, não é mesmo?