31 Outubro 2007

Matei um cara em São Paulo

Postado por João Paulo Mauler, às 11:10.

Não, esse post não é nenhuma confissão de homicídio. Como todos sabem (???) estive em São Paulo nos últimos dois dias fazendo pesquisa de campo para meu trabalho de conclusão de curso. Mas sobre isso falo depois. Hoje quero comentar outra coisa. Ou melhor, duas outras coisas…

Por pura falta do que fazer, fui para a rodoviária de SP com uma antecedência um tanto exagerada. Já tinha notado que a Superinteressante de novembro (adivinha a capa? Tropa de Elite, claro) tava bombando por lá, várias pessoas nas ruas traziam a revista debaixo do braço. Fui comprar a dita-cuja pra me divertir um pouco enquanto esperava o horário de voltar para a terrinha, e qual não foi minha surpresa ao ver que o exemplar estava simplesmente esgotado naquela banca. Isso só mostra que, apesar da discussão em torno do filme já estar cansando um pouco, o longa de José Padilha ainda rende muito pano pra manga e atrai a atenção da galera.

Sem ter a Super como opção, fui para a parte de pocket-books da banca/livraria, e achei lá um livrinho do Jorge Furtado chamado Meu Tio Matou Um Cara que, além do roteiro do filme homônimo tem a história que deu origem ao longa e outros contos do diretor. Se você não está ligando o nome à pessoa, Jorge Furtado é, na minha humilde opinião, o diretor mais foda do cinema brasileiro. São dele (roteiro e direção) o fantástico O homem que copiava, além do melhor filme de 2007 para mim, o inteligente Saneamento Básico, o filme.

O tal livrinho, que eu devorei em menos de duas horas, é uma coletânea de contos muito bem sacados, deliciosos de se ler, e com uma linguagem que quem já viu os filmes de Furtado sabe do que eu tô falando. Em um dos contos, uma mulher morre na véspera da virada do milênio, e de repente se vê representando a raça humana no juízo final. Em outro, a mesma mulher vai para o paraíso, só pra descobrir que o paraíso não é tão perfeito assim (e olha que lá ela tem o Murilo Benício como empregado).

Se o livro tem algum defeito é acabar rápido demais. O conto que dá nome ao livro e ao filme (que por sinal, eu ainda não assisti, mas agora quero muito) ocupa mais ou menos metade do livro (sem contar com a parte do roteiro do filme), e é impossível não ler de uma sentada. Os outros, mais curtinhos, são instigantes e divertidíssimos. No primeiro livro de ficção de Furtado, o gosto que fica é de quero (muito) mais!


Salvo em: Cinema, Livros

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21 Outubro 2007

Artistas de um sucesso só

Postado por João Paulo Mauler, às 11:13.

O blog Odde publicou uma lista com os 50 maiores one-hit wonders, aqueles artistas que fizeram sucesso com uma única canção e depois nunca mais deram as caras nas paradas de sucesso. A lista é encabeçada pelos Los Del Rio, donos do hit mundial Macarena (alguém lembra dos macarrõezinhos dançantes que foram febres na internet em idos dos anos 90?), mas tem também Baha Men, Aqua, The Cardigans, Eifel 65, OMC, Wheatus, Cornershop e, os meus favoritos, Lou Bega, New Radicals, The Verve e Chumbawamba.

Aproveitando o espírito, pensei em dez artistas nacionais que não tiveram mais do que um sucesso. Se alguém lembrar de mais algum, é só falar…

1- Vanessa Rangel - Palpite
2- Ritchie - Menina Veneno
3- As Meninas - Xibom Bombom
4- Virgulóides - Bagulho no Bumba
5- Cogumelo Plutão - Esperando na Janela
6- Cravo e Canela - Lá Vem o Negão
7- P.O. Box - Papo de Jacaré
8- Rosana - O Amor e o Poder (Como uma Deusa)
9- Uns e Outros - Carta aos Missionários
10- Dr. Silvana e Cia - Serão Extra


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9 Outubro 2007

As novelas têm futuro?

Postado por João Paulo Mauler, às 11:12.

Sabe da última? Aguinaldo Silva, autor de Duas Caras, buscando um bode espiatório para os baixos índices da novela, já culpou o Orkut e o MSN, Marjorie Estiano e, na falta de desculpas menos descaradas, chamou quem não vê novela de bandido.

O problema é esse, porque não pensamos antes? Deixamos de ver novela pra fazer pirataria. Não é porque a história das novelas é basicamente sempre a mesma (”mocinho e mocinha lutando por um amor impossível e vilão tentando atrapalhar e pessoas muito ricas e um núcleo pobre porém feliz e uma gravidez inesperada e todos terminando felizes para sempre”), nem porque toda a TV como conhecemos está vivendo uma quebra de paradigmas. Não, a culpa é sua, cidadão que não vê novela pra assistir TV a cabo (sem pagar, obviamente), baixar vídeos na internet (não sem antes se certificar de que o conteúdo é protegido por direitos autorais) e cometer outros delitos. Seria a solução chamar o Capitão Nascimento para resolver a situação? Quem sabe ele pudesse convencer todo mundo a acompanhar o destino dos personagens de Aguinaldo (”Pede pra ligar a TV! Pede pra ligar a TV!”, ele ordenaria, sem nenhuma resistência)…

Quando o autor da novela que ocupa o horário mais nobre da TV se nega a enxergar a crise criativa que vive o gênero e ataca sumariamente o público, eu sou obrigado a achar que não, as novelas não têm um futuro muito promissor.


Salvo em: Televisão

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2 Outubro 2007

O Radiohead e o enterro da indústria fonográfica

Postado por João Paulo Mauler, às 11:09.

Bandas disponibilizando suas músicas online de graça não são exatamente uma novidade. Mas bandas do tamanho do Radiohead perguntando quanto você acha que vale as música dela, isso sim é uma bruta de uma revolução. Como assim? É isso mesmo, o Radiohead surpreendeu o mundo no domingo à noite, ao disponibilizar a pré-venda da versão em MP3 de seu novo álbum, In Rainbows. A grande novidade é que o comprador preenche o campo reservado para o preço com o valor que achar mais adequado. Em bom português, quer pagar quanto?

A iniciativa é inédita e sim, é revolucionária, primeiro porque uma ação dessas, vindo de um grupo do tamanho do Radiohead no mínimo abre precedentes para outros fazerem o mesmo e, no máximo, representa o golpe final na já cambeta indústria fonográfica, que vem amargando quedas vertiginosas nos lucros. Afinal, se eles podem distribuir online suas músicas por preços baixos (afinal, é você quem escolhe) sem o apoio de nenhum selo ou gravadora, se você pode ter as músicas da sua banda favorita por um preço justo (e legalmente), porque comprar CDs a quase 40 reais?

O que exatamente vai acontecer daqui pra frente não se sabe ao certo, mas é fato que a iniciativa do Radiohead representa um importante passo na história da distribuição da música no século XXI. A gente vai estar aqui pra ver onde isso vai chegar.


Salvo em: Música, Tecnologia

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